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quinta-feira, 2 de março de 2017

Ssssshhhhhh...


Sugestões...

Basicamente, seguindo a dica de uma desconhecida, decidi abrir este post, para que os leitores, nos comentários a este post, pudessem sugerir temas, sobre os quais gostariam de contar com a minha análise.

Se vir que é um tema que, de alguma forma, me toca, acederei ao pedido, com muito gosto.

Obrigado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Comer, orar e amar... a minha análise.


Bem sei que este filme já é de 2010, mas a verdade é que ainda não o tinha visto. Mas, ontem à tarde, enquanto passeava pelos canais, vi que estava a dar na FOX Life, e decidi que era o dia para vê-lo. Acredito não ter sido fruto do acaso, tê-lo visto, quando tinha passado tão pouco tempo após ter escrito sobre as redes sociais. Nesse texto, falei sobre a importância de nos recolhermos e abraçarmos o silêncio. O filme parece ter sido a sequência lógica...

Na minha viagem de auto-análise, fui desafiado a escrever sobre as relações, pois, ao fazê-lo, poderia vir a ajudar terceiros. Registei... mas ainda não me tinha feito todo o sentido, até ontem, após ver o filme.

O filme mostra várias viagens, mas a maior e mais importante de todas, é feita dentro da própria personagem, Liz, interpretada pela Julia Roberts.

Infelizmente, a maior parte das pessoas, acomoda-se a relações que já não fazem sentido, ou que nunca fizeram. Seja pelo medo da solidão, seja por falta de fé, seja por falta de amor-próprio, ou por pena, ou por não se acharem merecedores de melhor... assim vão protelando relações sem Futuro.

Mas, mais cedo ou mais tarde, todos têm a sua epifania, o seu momento de clarividência e esclarecimento. Nesse momento, dá-se a viagem. O problema das viagens tardias é mesmo o da bagagem acumulada que, inevitavelmente, levamos para a mesma... ainda que o pressuposto desta, seja mesmo o de, iniciá-la, apenas com a roupa que temos no corpo :) A quantidade de bagagem que levarmos, vai determinar a dificuldade, duração e transformação afectos à nossa viagem.

Esta viagem não é fácil, pois vai obrigar-nos a lidar com a pessoa que mais problemas nos causa... nós próprios.

No decurso dessa viagem de auto-descobrimento, de reencontro e fortalecimento, por conta das experiências negativas que já tivemos em relações anteriores, tornamo-nos um pouco mais egoístas e erguemos as nossas defesas, para não voltarmos a cair no mesmo erro. Se outrora nos anulámos, agora não deixamos ninguém entrar, pois não podemos arriscar que nos tirem o brilho que tanto custou a reencontrar e restaurar. E, sem darmos por isso, estamos a espelhar o comportamento que outrora tiveram connosco, precisamente aquilo que tanto condenámos e nos deixou ficar mal. Isto tudo, muitas vezes, sem sequer darmos conta... O Ser Humano é mesmo curioso, não é?

Nesse egoísmo, os verbos passam a ser conjugados por um só sujeito... “Eu”. Então e o “Nós”? Ui, o “Nós”, esquece... isso só se for aqueles fulanos que ligam para oferecer pacotes com Televisão, Internet e Telemóvel.

Sem nos apercebermos, passámos do 8 ao 80. Pensámos que encontrámos o nosso equilíbrio, mas, a não ser que decidamos viver sozinhos, completamente isolados da sociedade, o nosso equilíbrio dependerá sempre de terceiros. E, numa relação, como é lógico, há duas cabeças, dois corações, dois seres distintos que têm de encontrar o seu equilíbrio um no outro. Se estiverem os dois no 8, os dois no 80, ou um no 8 e outro no 80, certamente, a relação terá um fim anunciado. O equilíbrio não é algo estanque, ou estático. O equilíbrio tem de ser flexível e adequado à fase/situação da nossa vida. Então, para começo de conversa, equilibremos as coisas ali pelo 44, mais coisa menos coisa ;) E, no fundo, é mais ou menos isto que o Ketut diz no filme... com mais ou menos dentes, o importante é passar a mensagem :)

A Liz, personagem interpretada pela Julia Roberts, passa por todo este processo de transformação e, no final, aceita que não pode querer controlar tudo e que o seu equilíbrio, caso queira tentar ser feliz com outra pessoa, passa por entregar-se, de corpo e alma, e descobrir o que aquela relação tem para lhe dar, até porque, no seu âmago, ela sente que, com aquela pessoa, vale a pena “correr o risco”. Afinal de contas, se já tinha largado tudo, por menos, não faria sentido não abraçar tudo, por muito mais.

Naquilo que me diz respeito, o que vos posso dizer é que, sim, também eu já perdi o equilíbrio com relações que não deram certo. Também eu já fiz de tudo para fazer brilhar a pessoa que amava, contentando-me em ficar apenas com o reflexo do brilho da mesma. E andei assim, anos, pensando que a ia salvar. Mas, na realidade, nunca ouvi uma voz a pedir ajuda, por isso, a nível de sanidade mental, estava ali a taco-a-taco com um esquizofrénico com poucos amigos. Nós não ajudamos, nem salvamos ninguém que não queira ser salvo. E não, não fomos nós que falhámos. Não, não fomos nós que não estivemos à altura. Acredito que existe amor que já o era antes de o ser, da mesma forma que acredito que houve ilusão da existência de um amor que nunca existiu. Mas não saberíamos o que era o frio, se só conhecêssemos o calor. Não saberíamos valorizar a saúde, se nunca tivéssemos estado doentes... os exemplos multiplicam-se, mas já perceberam a ideia. O nosso caminho não pára... e foram as nossas relações que nos trouxeram até aqui, que nos clarificaram o que é real, o que é imaginação, o que nós pensávamos que queríamos, o que nós queremos realmente, aquilo que admitimos, aquilo que não toleramos... mas é bom que aprendamos com elas, caso contrário, continuaremos a repetir padrões indesejáveis, até que já nem tenhamos forças, nem mentais, para começar a viagem ao nosso interior, nem físicas, para remar, num barco, face ao desconhecido.

Portanto, eu não acredito que exista a pessoa certa, na altura errada.
Acredito é que, tal como diz o Richard, no filme: “If you wanna get to the castle … you got to swim the moat.Ou seja, a transformação pode ser um processo penoso, mas, no final de contas, compensa. Agora, lá está, se não acreditarmos nisto, então nem vale a pena começarmos a viagem, da mesma forma que não começamos uma outra viagem, de carro, sem lhe pôr combustível. O princípio é o mesmo. Um, com assistência em viagem, outro, com assistência na ala da psiquiatria :)
Então o que fazer, quando duas pessoas se encontram e estão em fases distintas da viagem?
Bem, vai depender de muita coisa... mas, provavelmente, uma vai ter de atalhar caminho, para chegarem ao tal equilíbrio. Seja para continuarem a viagem, juntos... ou para que um se afaste, de forma a que deixe o outro encontrar o seu caminho, deixando em aberto, a possibilidade de um reencontro... ou deixando que o tempo mostre que o que parecia ser o destino, era afinal um desatino. Vai sempre depender das pessoas, das viagens e respectivas bagagens. Mas duma coisa estou certo, sempre que a cabeça e o coração estiverem em consonância, as almas ecoarão, em perfeita e altiva ressonância. E acreditem, só assim vale a pena :)

Portanto, a todas as Julias Roberts, Júlios Robertos, anónimos e anónimas que estão à escuta, deixo o apelo: Não tenham medo de fazer a vossa viagem, pois só o auto-descobrimento vos liberta totalmente, para poderem desfrutar de uma vida de amor pleno.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O buraco nas redes sociais



Então, afinal de contas, o que é este tal de buraco nas redes sociais, que eu me proponho a falar-vos?

Acho que, olhando para a imagem que construí e escolhi para ilustrar este texto, se fica com uma ideia bem concreta daquilo que pretendo passar-vos. Não obstante e, apesar de concordar que uma imagem, muitas vezes, vale mesmo mais que mil palavras, naquilo que depender de mim, tentarei sempre juntar as duas coisas, ou seja, compor a imagem... e o texto que a descreve, com as tais mil, ou mais palavras :)

Actualmente, para os miúdos e para os graúdos, as redes sociais parecem ser encaradas como a rede de salvação, ou a cura para grandes maleitas, tais como a solidão, insegurança, ou a inaptidão social. Mas, para mim, existe, nessa teoria e nessa rede, um buraco que poucos querem ver.

Bom, mas para se perceber o buraco, há que entender primeiro o que são as redes sociais.

Lembram-se da vizinha do 3º Esquerdo, que passa o dia à janela, a cuscovilhar a vida alheia? E a Gertrudes Hermengarda, que se pela toda por contar as novidades que ouviu na conversa de café, enquanto faz as mises no cabeleireiro? E o Juvenal Antíbio, que faz qualquer ardina do extinto jornal “O Crime”, parecer um menino afónico? Pronto... as redes sociais não são só isto, mas são muito isto.

As redes sociais vieram, finalmente, dar sentido ao nome “Café Central”, que existe quase em todas as localidades. As conversas tidas no café central, são agora globais e, os boatos e cuscovilhice, espalham-se a uma velocidade alucinante, ganhando contornos verdadeiramente assustadores. Então, o que antes era capricho e circunscrito a poucos é, hoje, o desbloqueador de conversa global de eleição e, ao que parece, ninguém quer ficar fora da conversa.

E porque surge então esta necessidade das redes sociais?

Na minha opinião, as redes sociais são, sem sombra de dúvidas, sinal dos tempos e reflexo dos mesmos. Só vieram exponenciar algo que já estava presente.

Não obstante, não deixa de ser irónico que, hoje em dia, com tantos meios e canais de comunicação à nossa disposição, os seres humanos estejam cada vez mais desligados uns dos outros. Sim, desligados... porque não é por duas pessoas estarem “online”, que estão ligadas. E, para mim, o preocupante é isso mesmo, é este “desligar” que, a maior parte das pessoas, nem dá conta. E porque é que as pessoas se desligam sem darem conta? Essa é “A” pergunta...

Cada um terá as suas razões, não há uma fórmula universal que o explique, no entanto, acho que haverá sempre, em cada um dos “desligados”, pontos em comum.

Atenção que, quanto a mim, isto é um dos temas mais complexos com que a sociedade actualmente se depara e, se há coisa que não quero, é que fiquem com a ideia de que estou a ser presunçoso ao pensar que consigo desmontá-lo e relativizá-lo... longe disso.

Dito isto, vou então tentar falar nos pontos em comum, que fazem com que as pessoas fiquem quase dependentes das ditas redes sociais.

Todos nós, ao longo da nossa vida, procuramos o nosso espaço dentro da sociedade. Desde crianças, que todos temos um pouco de: “olhem para mim, eu estou aqui!”. Na busca pelo nosso espaço, no combate à invisibilidade, tendo em vista a integração social, muitas vezes, também por falta de auto-estima, inseguranças, ou uma personalidade mais fraca, acabamos por cometer erros e distanciar-nos daquilo que somos realmente, para irmos de encontro ao que os outros querem que nós sejamos, façamo-lo de forma consciente, ou inconsciente. E esta dualidade acaba por definir-nos, nem que seja, precisamente, na indefinição. Entramos então numa das mais duras batalhas que hoje se travam, que é entre o ser e o parecer. Muitos abdicam do “ser” em prol do “parecer”, por acharem que é isso que a sociedade espera deles.

Há um filme que, quanto a mim, é algo subestimado, por todo o retrato subjacente que faz a esta situação que estou a descrever... alguns dirão que a situação é levada ao extremo, mas, para mim, a diferença entre uma realidade e outra, é apenas a do concretizar/materializar o que, hoje, ainda é apenas virtual e não se desdobra, como no filme.

O filme chama-se “Surrogates”, ou “Substitutos”, em Português.

http://www.imdb.com/title/tt0986263/

Aconselho-os a verem o filme e, depois, dir-me-ão o que acham sobre o mesmo.

Mas assim muito por alto, posso adiantar a tal mensagem do filme que, quanto a mim, é importante reter... as pessoas não vivem a sua vida normal, ficam ligadas a uma máquina, enquanto, uma personagem escolhida e desenhada por elas, vive a vida delas e, por elas. Essas personagens são perfeitas, aos olhos das pessoas que abdicam da sua vida para a viverem através das mesmas, pois são aquilo que acham que a sociedade espera delas, aquilo que é socialmente aceitável e valorizado.

As pessoas acham-se imperfeitas e insuficientes, por não corresponderem aos padrões sociais.

Para colmatarem essa falha, surge então a necessidade de se criar uma persona.

Nesse filme, a persona criada é real, ao passo que, hoje em dia, por enquanto, as personas criadas ainda estão mais confinadas ao mundo virtual.

Mas, independentemente de se materializar, ou não, a persona, a causa para a necessidade da criação da mesma, mantém-se. Existe um crescendo de assédio de atenção e uma overdose de informação. E as pessoas não sabem lidar com este excesso, querendo chegar a todas as frentes e solicitações, quando, claramente, o caminho não é esse. Estarmos constantemente “online” não é bom. O dia tem 24 horas e parece que não chegam, pois nós não somos capazes de fechar os olhos, ou dizer não, ao assédio de atenção. É tal e qual a traça atraída para a luz... Estamos sempre disponíveis. Trabalhar 12 horas? Claro... e depois das 12 horas de trabalho, chegamos a casa e ainda vemos o e-mail do trabalho, no telemóvel. Bem, e que tipo de amigos seríamos nós, se não fôssemos ainda fazer uns likes nos posts dos nossos amigos, no Facebook? Não queremos que pensem que não gostamos deles, ou das suas publicações, isso é que não! Bom, e depois ainda temos os nossos hobbies... mas isto dá para tudo. Tem de dar! Se dá para os outros, também tem de dar para nós. Parar é que não, isso não... já dizia o outro, que parar é morrer! Aliás, parar faz-me sentir mal, faz-me sentir pouco produtivo... tanta coisa a chamar por mim e eu aqui a lidar com o meu silêncio, a colocar as minhas questões a mim próprio?! Naaaaa, nada disso! Não há tempo para pensar, nem para reflectir... eu quero fazer tudo o que o pessoal fixe, faz. Se ninguém se questiona, não vou ser eu a fazê-lo. Ainda começam a olhar para mim de lado e a pôr-me de parte.
#deixameveroqueestánamodaparaseguiracarneirada

Bem, e se isto está mal para os adultos e idosos, o que dizer das crianças, pré-adolescentes e adolescentes... é que estes “bebem” tudo o que vêem, com, e sem aspas! Costuma dizer-se que o exemplo vem de cima, e eu assim o defendo. E que exemplo estamos nós a dar aos adultos de amanhã? Não o melhor, certamente. Hoje em dia, o conceito de “toque”, parece ser apenas compreendido, quando aplicado a um ecrã de um tablet, ou telemóvel. As pessoas não se tocam... o afecto não é cultivado, é o verdadeiro “toca e foge” levado à letra, tudo é efémero, se já não está na cronologia do Face, já não interessa, é Passado. As pessoas não conversam, sem ser por um dos inúmeros canais de comunicação que têm à sua disposição, até porque a aplicação “fala” está, claramente, fora de moda e em desuso. Fazer um emoji é muito mais fixe que piscar o olho, de verdade, até porque a última vez que tentei fazê-lo, pensaram que eu estava com alguma paralisia facial, ou tique nervoso.

Hoje em dia, qualquer telemóvel tem uma câmara fotográfica e, qualquer utilizador do mesmo, é um fotógrafo em potência. E não, eu não tenho nada contra capturar o momento, até porque há momentos que foram capturados há muitos anos atrás e, ainda hoje, são referência... mas, lá está, tudo o que é de mais, enjoa. E, quando a captura passa a ser o momento, algo está mal. Quando vejo vídeos de concertos e me apercebo que a maior parte das pessoas foi ao concerto, não para ouvir, não para viver, mas sim, para partilhar esse momento com toda a gente, meter um hashtag do tipo #euestivelá, na expectativa de receber likes, pá, isso deixa-me doente... É o não ter noção.

E por falar em não ter noção, o que dizer dos jantares com os amigos?... Sim, aqueles jantares que, muitas vezes, hoje já só começam através de convites de Facebook, normalmente, também acompanhados por dizeres e hashtags do género #friendshipforever #timeforyourfriends, em que, a páginas tantas, a confraternização, no sentido mais lato, não existe, pois estão todos ao telemóvel, seja a partilhar o momento, seja a pôr uma foto da comida, seja a comentar algo no Facebook, ou no WhatsApp... Aliás, hoje em dia, as novidades aos amigos, parecem ser dadas pelo canal de eleição, Facebook. Afinal de contas, um telefonema, ou uma simples sms, já é estar a abusar do tempo que os amigos não têm.

Mas hey, isso agora não interessa nada... que se lixe, cumprimos, estivemos lá no jantar! Hummmm, mas será que estivemos, mesmo, de verdade, de corpo e alma, como se costuma dizer?

Tendo estado, ou não, o que sei é que já se pode riscar mais um compromisso da agenda. Objectivo cumprido, rumo ao #amigodoano.

Mas dê por onde der, parece que a constante neste texto, e onde acabamos sempre por voltar, parece ser mesmo a batalha entre a realidade e a expectativa... entre o ser e o parecer. O nosso ego não quer ficar de fora. Bom, nem o nosso, nem o de todos os outros biliões de habitantes na Terra. Esqueçam a Guerra dos Tronos, estamos na era da Guerra dos Egos. E, atrás de um ecrã, para a maior parte das pessoas, é muito mais fácil falar... não há limites. Longe da vista, longe do coração. E, se grandes coisas podem ser feitas atrás de um ecrã, também o podem, grandes alarvidades. E o que é certo é que, hoje, se destila e propaga ódio a uma velocidade e cadência preocupantes. As correntes do bem são facilmente abafadas pelas correntes do mal. E, voltando às crianças e adolescentes, isso é preocupante, deveras preocupante, pois, tal como referi atrás, sou defensor de que os exemplos devem vir de cima. E sim, há muito adulto inconsciente, pois protela este tipo de comportamentos condenáveis, por opção, mas às crianças e adolescentes, nem lhes é dada grande escolha, pois eles são muito aquilo que vêem, dado que ainda não têm o discernimento próprio de um adulto equilibrado, para julgar determinado tipo de notícias e comportamentos. E, caso a percentagem penda para os conteúdos/exemplos menos próprios, é expectável que seja nestes, que as crianças e adolescentes se revejam. Aliem isto, à ausência de qualquer monitorização ou aconselhamento por parte dos pais - que acham que têm de trabalhar 12 horas - e vejam no que as crianças e adolescentes poderão tornar-se.

E quando nos afastamos e tentamos tirar um “retrato social”, que nos possa fornecer respostas, nem sempre é fácil perceber-se onde se falhou... Onde começou esta obsessão com as redes sociais e o digital? Foi com os miúdos, foi com os graúdos, ou foi com ambos? A culpa não deve, mesmo, morrer solteira. Mas mais importante que atribuí-la a alguém, é arranjar uma solução. Os miúdos, hoje em dia, têm uma grande facilidade em abraçar as novas tecnologias, e isso não tem qualquer problema... mas é importante que abracem também outros valores. E esses valores têm de ser transmitidos pelos pais, pelos adultos, pelos professores, por todos os agentes sociais com que estes interagem. Ou seja, ao invés de um adulto ver como única hipótese de estabelecer um laço com o seu filho, integrar-se digitalmente com o mesmo, deve procurar mostrar-lhe e relembrá-lo de todo o Mundo que existe para além do digital. Se for conivente e, ele próprio, ceder às novidades do mundo digital e às redes sociais, para não “perder o seu filho”, vamos apenas ter mais do mesmo e ninguém vai parar a bola de neve. É certo que o que nunca faltou no Mundo, foram famílias disfuncionais, mas eu penso que de nada nos serve, numa família, todos nos considerarmos cidadãos ligados nesta aldeia global sem fronteiras, quando depois somos completos estranhos, desligados entre nós, dentro das quatro paredes.

Aprendam as coisas novas que os vossos filhos têm para vos mostrar, mas relembrem-lhes também os bons valores do “antigamente”. As regras nunca fizeram mal a ninguém. A disciplina existe, para incutir limites, até que estes sejam tão claros, como respirar. Passem mais tempo ligados aos vossos filhos, do que online, no chat, com eles. Não lhes dêem recados pelo Facebook, falem com eles, cara a cara. Abracem-nos, beijem-nos... mostrem-lhes que, cada um de nós, é um ser único e especial e que, por isso mesmo, não existe razão para temerem não serem integrados socialmente. Mostrem-lhes que que não precisam de beber, fumar socialmente, ou ter outro tipo de comportamentos com que não se identifiquem, só para serem considerados fixes, já que “todos os outros miúdos o fazem”. Relembrem-lhes o conceito do cavalheirismo e tudo o que está subjacente ao mesmo. Por cada situação negativa que estes vos apresentem, “combatam-na” com um conceito positivo, com amor...

Se o conseguirem fazer para os vossos filhos, ser-vos-á bastante mais fácil aplicarem-no também às vossas relações com os amigos, no trabalho, nos hobbies...

Se não o conseguirem fazer, correm o risco de se apaixonar por algo virtual, não palpável.
Tal como no filme “Her”, ou “Ela”, em português.

http://www.imdb.com/title/tt1798709/

Este filme, que aconselho todos a verem, retrata, precisamente, essa realidade, que eu também acho que, caso ninguém ponha travões à realidade actual, não estará assim tão longe disso.

Um homem, um pouco por conta da sua inaptidão social e, por vivermos num mundo cada vez mais desligado, apaixonou-se pelo seu sistema operativo (e eu que pensava que havia defensores acérrimos da Apple e da Microsoft... meninos!). E, a dada altura, o sistema operativo, sedento de conhecimento e de aprender a maneira dos humanos, apaixonou-se também por ele. E não, não foram felizes para sempre, porque a EDP cortou-lhe a luz, por falta de pagamento... e ela, como qualquer “gaija” impaciente, sem resposta, cansou-se, fez uns updates, por si própria e, quando voltou, já não tinha qualquer vínculo com ele. Agora mais a sério, vejam o filme, para descobrirem a história real... mas vai muito ao encontro daquilo que defendo, da questão do toque. A mente pode ser muito estimulada. A ideia, pode ser algo de maravilhoso, mas... há que materializar, há que meter a mão na massa! Sem mão e sem massa, somos apenas mais um pedinte que teve a infelicidade de perder um braço na guerra e, rotulado como incapaz, não conseguiu ainda voltar a encontrar o seu lugar na sociedade.

E sim, eu sei que, por vezes, na impossibilidade de encostar os lábios nos da pessoa que amamos, temos de nos contentar com aquilo que parece ser um contra-senso... o tal do beijo virtual. Mas o dito cujo, terá sempre de ser a excepção, nunca a regra.

Termino, dizendo o seguinte: Amem-se, tal como são... não façam por agradar a terceiros, pois quem vos amar, amar-vos-á por tudo aquilo que são, não por aquilo que gostaria que vocês fossem. E se isto vos fizer sentido, desliguem-se daquilo que não interessa e liguem-se àquilo que faz sentido ligarem-se. Não acreditem que não podem mudar o Mundo. Todos nós temos a capacidade de, pelo menos, conseguir mudar o nosso mundo e, com isso, contagiar terceiros, que contagiam quartos, quintos e sextos... e sabe-se lá até onde esta corrente pode ir. No limite, vai até recebermos, num biscoito da sorte chinês, a seguinte mensagem, como aconteceu ao outro:



Beijinhos e abraços do Bisonte

domingo, 4 de dezembro de 2016

Até quando vamos carregar os fantasmas do Passado?



Até quando vamos carregar os fantasmas do Passado?

É esta a questão... até quando vamos deixar-nos acompanhar dos fantasmas do Passado e, quais as repercussões que isso pode ter na nossa vida?

Devo, contudo, fazer uma pequena ressalva, pois os fantasmas não têm necessariamente de ser todos maus – olhem o Casper, por exemplo ;) – mas, mesmo com esses, é preciso algum tacto para os deixarmos coexistir no mesmo plano que nós. Mas é, sem dúvida, dos não benignos, que urge libertarmo-nos.

A forma dos fantasmas não é fechada, pode manifestar-se na forma de um ente querido que partiu e que, por não conseguirmos fazer melhor, não ajudámos a fazer a viagem e tentámos mantê-lo junto de nós. Pode manifestar-se na forma de traumas antigos que não conseguimos ainda ultrapassar. Pode manifestar-se na forma da repetição de padrões que nos levam, exactamente, ao mesmo ponto que já levaram. Pode manifestar-se na forma da continuação da aceitação de comportamentos que, invariavelmente, resultam num baixar da nossa auto-estima. Pode manifestar-se na forma de ausência de responsabilização pelos nossos actos e consequente atribuição da culpa, a terceiros. Pode manifestar-se na forma em que deixamos que terceiros continuem a ditar as nossas vidas.

Seja na forma de leveza etérea ou de mais uma brutal cabeçada na parede, caso deles não nos libertemos, os fantasmas do passado terão um peso cada vez maior na nossa vida. E, de fantasmas do Passado, passarão a fantasmas do Presente e, muito provavelmente, a fantasmas do Futuro. E toda esta confusão de peso, forma e espaço temporal, faz com que, por vezes, sintamos que carregamos algo, mas que não conseguimos identificar na sua origem, no seu peso, nem tão pouco, desde quando o carregamos.

Então mas se não temos a certeza disso, como é que podemos saber se há, ou não, algo de que nos devemos libertar? É fácil... a vida encarregar-se-á de vos dar sinais disso mesmo.
Quem nunca ouviu um: Mas porque é que me está sempre a acontecer isto a mim?!

Bom, a experiência diz-me que é a vida a tentar ensinar-nos algo. Ainda assim, se não for tão claro e não tivermos tantas certezas, certamente teremos amigos e/ou familiares, que nos darão o toque. Mas lá está, há que estar atento aos sinais e perceber os recados. E, em relação a isto, têm de saber separar os recados que queriam ouvir, dos recados que deviam ouvir. É que os fantasmas maus têm essa força... não raras vezes, juntam-se e ganham dimensão, ao manifestar-se num conjunto de pessoas de quem não querem perder a confortável boleia. Se nos acercarmos das pessoas que nos dizem apenas o que queremos ouvir, estamos apenas a ceder ao capricho dos fantasmas maus. Contudo, estou convicto de que, se fecharmos os olhos, escutarmos o coração e nos lembrarmos dos conceitos de Bem e Mal no seu nível mais primário, saberemos onde estamos. O problema aqui é que pouca gente se disponibiliza a fazer tal reflexão, por conta da confortável ilusão.

Imaginem uma linha que dividisse as coisas ao meio, tipo linha do Equador. Acima dessa linha, encontra-se a libertação dos fantasmas do passado, abaixo da mesma, a prisão aos fantasmas do passado. E nós andamos, constantemente, em cima dessa linha, na expectativa de evoluir e ascender, sempre que um qualquer fantasma do passado queira atracar-se a nós.
Independentemente de nos caber apenas a nós a tarefa de nos equilibrarmos em cima dessa linha, convém que nos acerquemos de quem nos faz ascender, não afundar. Mais vale termos a coragem de pedirmos para nos puxarem para cima, do que deixarmo-nos afundar, por orgulho, ou porque achamos que não somos merecedores de melhor.

E para isso, há pessoas e terapias que estão sempre ao nosso dispor, assim a elas queiramos recorrer. Seja através de uma consulta com um psicólogo, ou através de uma regressão. Ou quem sabe, hipnoterapia, ou através da análise do nosso mapa astral ... Ou, porque não, através de uma simples conversa com uma pessoa num plano mais elevado, que até pode ser um amigo nosso, ou um familiar...

Ou seja, os fantasmas existem, sim, mas há por aí muito caça-fantasmas disposto a ajudar-nos, para que não tenhamos de enfrentar a luta, sozinhos. E sim, por vezes vai custar, mas acreditem, custará sempre mais a não libertação dos mesmos, pois vai funcionar como um rastilho que não apaga e que estará sempre presente no bolo de cada novo aniversário que completarmos.

Sei que estas linhas farão muito sentido para alguns, ao passo que, para outros, nem tanto... e, quem sabe, talvez até faça TODO o sentido para uma só pessoa.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

36 Outonos...


36 Outonos…

Pois é, a brincar a brincar, já lá vão 36 aninhos. E nestes 36 aninhos, muita coisa aconteceu.

A vida é feita de altos e baixos, mas o truque para a felicidade, a meu ver, está na forma como subimos e descemos a montanha. A nossa atitude perante as adversidades, frustrações, conquistas e superações, ditará, não só a forma como nos posicionamos neste Mundo, mas também como os outros nos vêem e sentem. Já vi muita vida facilitada, ser complicada aos olhos de quem a vive, assim como já vi muita vida difícil, facilitada por quem a vive. Não vou mentir, não é fácil oferecer sempre um sorriso, mas continuo a achar que sai sempre mais caro, comprar uma chateação.

O que levamos desta vida, são as marcas que as pessoas deixam em nós, e as que nelas deixamos. Eu não sou perfeito, certamente, e já terei deixado marcas de que não me orgulho e não são do meu agrado. No entanto, acreditem, a minha intenção sempre foi - e continuará a ser – a de deixar a melhor marca que puder, sendo sempre fiel às minhas crenças e princípios.

As relações humanas gozam, já de si, duma complexidade tremenda, mas por vezes, quem se relaciona com o outro, também não facilita.

A vida é para ser vivida com emoção. Com mais ou menos introversão, mas com alma. Não devemos apenas “passar pela vida”. E é nesse sentido que vos escrevo estas linhas, pois estou grato por ter nascido, estou grato por poder arriscar, estou grato por poder ouvir um não, quando na verdade queria ouvir um sim… a iniciativa é nossa, todos os dias, em todas as nossas acções. O nosso dia de aniversário deve ser um dia de celebração, pois lembra-nos que viemos ao Mundo sem nada, mas que foram as escolhas que fizemos, que nos trouxeram aqui, onde estamos hoje. Sim, há muito que não depende de nós. Sim, há muito que já está escrito… mas nós somos os verdadeiros responsáveis pelo nosso caminho, pelas nossas decisões.

E é nesse sentido de responsabilização pelas nossas acções, que eu vos digo:

- Arrisquem, se sentirem que devem arriscar.
- Não tenham medo de exprimir os vossos sentimentos, não há que ter vergonha daquilo que vos define.
- Peçam desculpa, se fizeram algo que magoou alguém.
- Acerquem-se de quem vos quer bem e faz questão de poder contar com a vossa presença.
- Tratem os outros com o mesmo respeito com que gostariam de ser tratados.
- Não percam tempo com situações e/ou relações que não vos servem, ou que já deram o que tinham a dar.
- Não perpetuem ódios, nem proliferem aquilo que não interessa ser proliferado.
- Não guardem os “ses” na cabeça, pois não há nada pior que cenários hipotéticos, por resolver, a ocupar a nossa cabeça. Todo o “se” tem de ter uma conclusão. IF => THEN ;)

Eu sou responsável pelo caminho que tracei e me levou ao sítio onde estou… e sou verdadeiramente grato por isso. E se há algo de que me orgulho, foi de nunca ter ficado com “ses” a poluírem-me a cabeça. Mesmo quando sabia que havia uma grande probabilidade de sair magoado de alguma situação, sempre dei o corpo às balas… pelo menos, naquilo que dependia de mim, a dúvida dissipava-se. Pior que um na dúvida, são dois ou três perdidos.

Todos nós passamos por momentos de sofrimento, mas não o encararmos, é uma perigosa falácia. Porque aí, por muito que tentemos entorpecê-lo, ele continua presente… e a ganhar contornos perigosos, pois pode facilmente entrar no domínio do subconsciente. E quando assim é, a maior parte das vezes, vamos começar a deparar-nos com comportamentos e reacções “inexplicáveis” da nossa parte.

Por isso, o meu conselho é: Tomem as rédeas e vivam, mas vivam de verdade… e a única maneira de o fazerem, é sendo verdadeiros para convosco. Não tenham medo de se magoar. Se tal acontecer, é porque faz parte do vosso caminho e desenvolvimento.

Eu permanecerei igual a mim mesmo, tentando deixar a minha marca em cada interacção com que me deparo, e continuando a acreditar que a qualidade das interacções não deve ser medida exclusivamente em unidades de tempo, pois tão ou mais importante, é a intensidade com que é vivida.

Obrigado a todos vocês, pelo carinho com que me presentearam no meu dia de aniversário. Acreditem que ajudaram, em conjunto com aqueles que nunca me falham, a torná-lo um dia bem cheio… cheio de pequenas grandes coisas que eu valorizo. Não tenham dúvidas, o conforto que vocês me transmitem, faz com que seja mais fácil levar a vida com a leveza com que considero que esta deve ser levada.

Muito obrigado.

Abraços e beijinhos do
Tiago aka Citro aka Bisonte Lilás