Se quiseres seguir o Bisonte e não fores da PJ, bota aqui o teu e-mail e clica em Submit

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Esquerda, o novo Papão em Portugal!



Pois é, venho falar-vos desta tal de Esquerda, que parece que é o novo Papão na vida dos portugueses!

Não me queria alongar muito nas definições de esquerda e direita política, mas como é relevante para aquilo que vos vou escrever de seguida, deixo-vos aqui a ideologia base de cada uma, até porque creio que a maior parte das pessoas que se refere às mesmas, não sabe quais as diferenças básicas entre ambas:

“Direita política descreve uma visão ou posição específica que aceita a hierarquia social ou desigualdade social como inevitável, natural, normal, ou desejável.”

“No campo da 
política, política de esquerda descreve uma posição que apoia a igualdade social.[1] [2] [3] [4] Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas.”

Retirado daqui:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquerda_pol%C3%ADtica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direita_pol%C3%ADtica

Em relação aos senhores que estiveram à frente do nosso governo nos últimos 4 anos, e que agora, pelos vistos, aos olhos de grande parte dos portugueses, já parecem políticos sérios, responsáveis por encarreirar Portugal e por um excelente trabalho, sem mácula, sem mentira, sem sacrifícios desnecessários e sem qualquer tipo de subserviência à vontade da União Europeia, deixo aqui estes vídeos, sem quaisquer tipos de manipulações, pois as palavras vieram directamente da boca dos intervenientes:

O melhor de Passos Coelho (não precisa de destaques, pois todo o vídeo é um destaque constante):

https://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec

E claro, não podia faltar o nosso querido Paulo Portas que, ao ver estes tesourinhos, deve ficar cheio de vontade de esconder-se num submarino:

https://www.youtube.com/watch?v=oYbvQMO7bC0
https://www.youtube.com/watch?v=HSxnefIEuyg

“Os partidos são uma maçada… ser militante de um partido é uma grande maçada”; “Os quadros dos partidos, normalmente, são muito muito medíocres, são pessoas muito medíocres que não têm mais nada que fazer na vida, ou que acham que aquela é a forma principal de subir na vida”;
“ – Não tens ambições políticas?
- Nenhumas… É uma coisa que eu decidi na minha cabeça, se há coisas definitivas na minha vida e na minha cabeça, uma delas é essa. Eu gosto imenso de política, mas nunca farei política.”

Há coisas que nunca mudam, tipo, são irrevogáveis, estão a ver?

“irrevogável | adj. 2 g.

ir·re·vo·gá·vel
(latim irrevocabilis exceptus quandu Paulo Portis dixit, -e)
adjetivo de dois gêneros
1. Que não se pode revogar.
2. Definitivo.
3. Que não torna atrás.
4. A não ser que seja o Paulinho das Feiras a proferir tal vocábulo.

"irrevogável", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, 
http://www.priberam.pt/dlpo/irrevog%C3%A1vel [consultado em 11-11-2015].”


Sobre o último governo, só me ocorre a seguinte força de expressão: Tinham como objectivo matar uma formiga (calma, PAN, é só uma força de expressão) e, para terem a certeza que o conseguiam fazer sem grandes exercícios mentais, acharam que a melhor forma de o fazer era com uma caçadeira de canos serrados. Algo descabido, exagerado, mas pronto, diziam que só assim é que a formiga ia à vida, e a malta lá foi aguentando. Mas… não é que, mesmo com a caçadeira, conseguiram falhar?!

Bom, apresentada que está esta direita, vamos lá então à escandaleira do momento…

Segurem-se… Sim, diz que é possível que venhamos a ter um governo de esquerda no poder!

Não posso… Aqueles gajos que defendem a igualdade social e não sei mais o quê?!

Eish, estamos tramados, ó sócios!

Ante esta possibilidade, ouvi/li algumas pérolas brilhantes…

“Deviam ter vergonha, perderam as eleições e agora fazem jogo sujo para ir para o governo…”
“O Costa devia demitir-se!”
“40 anos de democracia por água abaixo…”
“Isto foi um golpe de estado!”

Acho que, quem profere tais comentários, não entende bem o conceito de democracia, nem tão pouco, o simples respeitar da maioria. Eu vou explicar com laranjas…
Os portugueses votam para eleger deputados na assembleia. Cada deputado vale um voto, voto esse que serve para aprovar, ou reprovar, medidas parlamentares propostas em assembleia. Muito resumidamente, quem tiver mais votos, vê a dita proposta aprovada. Se houver uma maioria no poder, existe na mesma uma votação, mas acaba por ser apenas simbólica, uma vez que as medidas são sempre aprovadas, precisamente, por essa maioria – tal como o nome indica - dispor de mais de metade dos votos disponíveis na assembleia.

Número de deputados na assembleia: 230

Os 230 deputados foram então divididos da seguinte forma, após resultado das legislativas de 4 de Outubro de 2015:

Número de deputados eleitos pela coligação PSD/CDS: 102
Número de deputados eleitos pelo PS: 86
Número de deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda: 19
Número de deputados eleitos pela CDU(PCP/PEV): 17
Número de deputados eleitos do PSD: 5
Número de deputados eleitos pelo PAN: 1

Número de deputados da coligação PSD/CDS + deputados  PSD = 107

Ora, para se obter maioria, quando há 230 lugares disponíveis, temos de ter então, pelo menos: (230/2) + 1 = 116

107 AINDA é menor que 116.

Se o actual governo continuasse em funções, o que ia acontecer é que, mesmo sem acordo à esquerda, toda e qualquer medida que a coligação quisesse ver aprovada em assembleia, ia ser chumbada, pois a esquerda anda há 4 anos a dizer que não concorda com as políticas do actual governo, logo, não faria sentido aprová-las, indo contra os seus princípios e ideais, só para agradar à coligação. Em suma, não haveria condições de governação.

Mas deixem-me que vos diga que, ainda assim, após 4 anos de austeridade, mentiras, privatizações em saldos, resgates da banca, tentativas de implementação de medidas inconstitucionais, e de sermos uns bonitos cordeirinhos europeus, 107 votos é, no meu ver e, por si só, uma loucura… só justificada por uma qualquer realidade paralela à qual não tive acesso. É a tal realidade paralela onde o povo português foi responsável pela crise, pois viveu acima das suas possibilidades. Onde os bancos e as principais instituições financeiras nacionais e internacionais, nada contribuíram para isso. Onde os meios de comunicação são isentos, com comentadores igualmente imparciais e apartidários. Onde quase meio milhão de portugueses não foram obrigados a emigrar. Podia ainda alongar-me para outras manobras de diversão subtis, porém, com repercussões em cadeia brutais… mas já há aí material tão escandaloso, tão evidente, que acho que nem vale a pena embarcar em “teorias complexas”.

Graças a Deus, não tive de viver em ditadura, mas o mesmo já não posso dizer dos meus pais e avós. Falar em golpe de estado é, no mínimo, insultuoso para com aqueles que foram torturados e perseguidos para que, hoje, pudéssemos viver numa democracia. Onde o nosso voto… conta. É certo que, por vezes, não o vemos representado da maneira que gostaríamos, mas podemos exercer o direito de voto, isso é inegável. Infelizmente ainda há, nos dias de hoje, quem não o possa fazer.

Se António Costa não tem aceitado a vontade de tantos militantes e simpatizantes, certamente, teria sido criticado por virar as costas ao país, quando este precisava de uma alternativa viável, alternativa essa, que os portugueses não viam em António José Seguro. Sujeitou-se à vontade dos portugueses, e estes deram-lhe uma expressiva vitória de quase 68%. É acusado de jogo sujo. Enfim :)

Fez um excelente trabalho na Câmara de Lisboa, mas como altos valores se levantaram e teve de abandonar o seu mandato de presidente da câmara, para garantir uma alternativa viável ao país, acusaram-no de ser um homem sem palavra e de ter abandonado quem votou nele para presidente da câmara de Lisboa.

Falam também nas divergências que havia em tempo de campanha, entre o Bloco de Esquerda, o PS e a CDU, e que estas parecem ter desaparecido da noite para o dia, só pela sede de poder.
Como é lógico, não tendo concorrido coligados, por opção, cada um teria de puxar a brasa à sua sardinha. A fazer campanha, não faria sentido fazê-la por outro partido.
Mas por que não pensar antes que, em 40 anos de democracia, nunca se tinha assistido a uma negociação/diálogo tão séria entre partidos de esquerda, procurando valorizar os pontos convergentes, com cedências de parte-a-parte, em prol de uma política que rompa com a do actual governo, e que, finalmente, dê aos portugueses aquilo por que clamaram… mudança?

Como é lógico, as divergências entre as ideologias dos partidos irão continuar a existir (tal como existem entre o CDS e o PSD), e é saudável que assim seja, porém, tal como em qualquer relação que se quer levar a bom porto, tem de haver diálogo e compromisso, procurando reunir consensos, sempre que possível, sem que para isso seja necessário que alguém abdique da sua identidade e convicções.
Acredito que o sapinho que cada um deles terá de engolir de quando em vez, seja menos indigesto que um Coelho insosso no tacho.

Mas quem veja o corrupio que para aí anda, mais parece que os portugueses estão com medo que a Assembleia da República se transforme num qualquer palco do festival do Avante, onde Popota, recentemente eleita deputada pelo PAN, usará o seu tempo nas reuniões plenárias para cantar o “Avante, camarada!”.

Tenho ainda de dizer-vos que nunca havia visto tanta veia de professor Chibanga nos comentadores dos meios de comunicação. Já há certezas de que o governo à esquerda tem os dias contados, e consta que já há inclusive apostas sobre a duração do mesmo. Aliás, isto está de tal maneira, que a campanha anti-esquerda, por parte dos lobbies, nem é disfarçada. Como se costuma dizer, estão mesmo a meter a carne toda no assador!

Há ainda certezas, por parte de muitos portugueses, que este governo de esquerda não pode fazer coisas boas por Portugal. Engraçado… já eu tinha a certeza, suportadas por inúmeros factos e números, de que o actual governo é que, de facto, coisas boas não fez. Mas isto sou eu, que tenho a mania de suportar as minhas teses com factos e números. Sou-vos sincero, sobre cenários nunca antes vistos, prefiro não fazer futurologia e torcer pelo melhor. Sim, porque a realidade é essa, nunca houve nenhum governo de esquerda, constituído como este será. Logo, não há comparação possível com realidades anteriores, pois não há ainda qualquer registo da sua actuação. Trocado por miúdos, como dizia o outro: Não neguem à partida uma ciência que desconhecem... apesar de, estranhamente, já se terem acomodado ao cheiro a trampa daquela que conhecem.

Olhem, eu cá vou torcer por Portugal e por aqueles que o vão governar. Chamem-me maluco, mas eu acredito num Portugal mais virado para as pessoas, do que para os mercados internacionais. E sim, antes que digam que esses malucos da esquerda que defendem a igualdade social vivem uma utopia, estejam descansados que eles também sabem interpretar números. Aliás, estou convencido que o difícil será interpretá-los de maneira pior que o que fizeram os génios que lá estiveram.
Mas quem quiser continuar a enfiar a cabeça na areia, fazer campanha deprimente baseada no Best Seller “Quem tramou o Calimero?”, ou ainda a enviar petições para o Presidente da República não empossar o Governo de esquerda, está no seu direito… mas lembrem-se, os factos continuarão a ser os factos, independentemente da maneira que os pintem.

Mas acima de tudo, não se limitem a repetir o que dizem os comentadores, seja através de recados mais subtis, ou de mensagens bem directas. É que, para isso, temos os papagaios… Pensem, analisem, questionem-se... vejam se, de facto, faz sentido. Se, ainda assim, acharem que é merecedor de ser repetido, muito bem, mas pelo menos fizeram a introspecção que visa separar-nos dos papagaios.