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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau)



Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau)

Escolhi este filme, não só por ser uma bela história de amor, mas, principalmente, pela maneira como aborda uma das questões que mais divide as pessoas. Mas afinal de contas, existe mesmo essa tal coisa do destino? O Tony Carreira parece acreditar nisso :)

E, caso exista, seremos então meras marionetas que, durante a nossa existência, se limitam a passear os corpos aqui na Terra?

Costumo dizer que, para definir o desfecho de determinada situação há, quase sempre, dois provérbios contraditórios, ora vide: “Quem espera, sempre alcança”... mas “camarão que dorme, a onda leva.”; “Mais vale prevenir, do que remediar.”... mas “quem não arrisca, não petisca.”

E fui buscar o exemplo dos provérbios contraditórios, precisamente para dizer-vos que, também neste caso, não acho que haja uma verdade universal, ou, pelo menos, uma que se aplique a todos, em todas as instâncias das suas vidas.

Se pegarmos em dois provérbios contraditórios e os separarmos, colocando-os, posteriormente, no contexto correcto, ambos irão fazer sentido. Daí dizer-se que “o contexto é tudo”... apesar de, na “conversa de café” e nos meios de comunicação em geral, acharem esse tal de contexto, um tanto ou quanto sobrevalorizado :)

O filme passa-nos uma ideia de que, de facto, o nosso destino já está traçado e que tudo deverá correr de acordo com um plano traçado previamente, sendo que, sempre que há desvios a esse plano, os tais agentes do destino intervêm, para se certificarem que o plano é cumprido à risca. Fica a ideia de que o plano será o desígnio de Deus e que, os agentes do destino, os anjos.

Ficamos a pensar que o livre-arbítrio é, afinal de contas, uma série de eventos concertados e previamente definidos, mascarados na forma de ilusão de que estamos no controlo das nossas vidas, quando, na realidade, somos meras marionetas a cumprir o plano.

Em traços gerais, penso que é isto :)

Contudo, parece que o par romântico, interpretado por Matt Damon e Emily Blunt, tinha um plano alternativo :)

Mas já lá vamos...

Penso que todos concordarão que, com o avançar dos anos, a sociedade tem evoluído, como um todo. Ora, cada indivíduo tem um plano próprio, o seu desígnio... mas dentro desse plano há, certamente, pontos comuns a planos de outros indivíduos. E a junção de todos os pontos comuns, entre todos os indivíduos, representa a mobilização social, representa um plano social, plano para o qual, todos nós contribuímos um pouco, fazendo a sociedade evoluir.

No entanto, a dita evolução traz, amiúde, uns quantos reveses. Na sede da evolução e do querer sempre mais, muitas vezes, perde-se o foco daquilo que é realmente importante, pelo menos, quanto a mim. E este filme retrata, de forma brilhante, esse aspecto. E considero-o um retrato brilhante, pois resulta de uma abordagem que é fruto de uma reflexão bastante ponderada, ainda que leve, onde fica patente que nem mesmo os mais altos desígnios são definitivos e que, cada um de nós tem, de facto, a obrigação de procurar o melhor caminho para si, pois o que lhe era destinado, pode ser insuficiente para a sua plenitude, enquanto ser social e individual.

Aliás, pensem lá bem com os vossos botões e digam-me lá se não é verdade que, a grande maioria das pessoas, acredita mais facilmente numa notícia negativa, do que numa positiva? O Mundo está programado para a desgraça, a desgraça vende e prospera, pois, por incrível que pareça, as pessoas mais facilmente se relacionam com a desgraça, do que com a felicidade... mas esquecem-se que a felicidade também não nos cai no colo e que, muitas vezes, até a atingirmos, temos de travar duras batalhas. E mesmo sem batalhas, também conheço pessoas que fogem da felicidade, com medo que esta seja a próxima Peste Negra :)

E então, o que inferir que, supostamente, nos está destinado, mais até pela vertente social? Devemos casar aos “x” anos; Ter filhos aos “y” anos; Trabalhar até tarde porque isto está mau; Construir uma carreira profissional com perspectivas de evolução muito bem definidas e delineadas; etc.
E todos, sem excepção, têm uma palavra a dizer sobre o nosso plano, sempre e quando ousamos desviar-nos do mesmo. Gosto de chamar-lhes os agentes sociais limitadores :)

É como se, a páginas tantas, tivéssemos passado uma procuração, onde abdicamos tacitamente dos nossos direitos de escolha, autorizando todo e qualquer um, a mandar bitaites e a decidir por nós, seja com base nas suas experiências (boas ou más), seja com base na sabedoria popular, seja com base na cultura, seja com base na região, etc. Vivemos numa espécie de liberdade condicional constante, com receio permanente de ir para a prisão, por algo que façamos fora do plano.

Quando nos anulamos enquanto indivíduos com quereres, vontades, crenças, sonhos e dons próprios, somos meros actores sociais. Não vivemos, apenas representamos... limitamo-nos a representar aquilo que esperam de nós, numa longa metragem sem fim à vista.

Voltando ao filme :) David Norris (que eu saiba, não afiliado com Chuck Norris :)), um político com uma carreira promissora pela frente, e Elise Sellas, uma bailarina também com um futuro brilhante na calha, conhecem-se, “por acaso”. David, tinha acabado de perder as eleições e preparava um discurso, sozinho (ou assim pensava ele) na casa de banho dos homens, quando Elise o surpreende, saindo de um dos cubículos. Conversam um pouco, trocam um beijo e, David, claramente inspirado por aquele evento inesperado, faz um discurso de derrota, que todos adoraram, pondo-o novamente na mó de cima, com fortes possibilidades de vitória, caso se candidatasse novamente.
O filme é feito dos encontros e desencontros de ambos, onde os desencontros eram provocados pelos tais agentes do destino, que tudo fizeram para que estes não ficassem juntos, pois esse não era o plano maior. Porém, tanto David como Elise, souberam, na altura que trocaram aquele beijo, que tinham ali algo muito forte.

E como é que se sabe se estamos perante o/a tal? Se tens de perguntar e/ou racionalizar, então, muito provavelmente, não estarás.

Como David não aparentava ter dúvidas a esse respeito, não descansou enquanto não conseguiu encontrar novamente a Elise, para ficar com ela, mesmo após os agentes do destino lhe terem mostrado que, separados, ambos poderiam ter carreiras gloriosas (que era também o que a sociedade esperava deles), ao passo que se ficassem juntos, não... David, pensando que Elise estaria mais interessada na carreira, decide ser “altruísta” e abdicar de ficarem juntos... até que não aguentou mais e foi buscá-la, quando esta estava prestes a casar-se com a “escolha lógica”. Elise, teve então de dar um salto de fé, pois não tinha ainda visto o que David já tinha.
O arquitecto do plano maior, ao ver a determinação e amor deles, percebeu que afinal o seu plano estava errado, pois não tinha considerado que eles poderem vivenciar o amor um do outro, era, precisamente, o melhor plano para os dois. Afinal, 1 + 1 podem ser 3 :)

Todos os dias, caso não nos protejamos, veremos boicotados os nossos sonhos. E os agentes limitadores não fazem por mal, fazem-no por estarem descrentes e não se acharem merecedores de algo melhor do que o plano que lhes traçaram, e assim se vai perpetuando o ciclo vicioso.

Hoje em dia, criar, educar filhos e amar o nosso parceiro, parece ser um objectivo de vida pouco ambicioso.

Quantos casais vêem um filme romântico no cinema, acreditam no amor durante 90 minutos (choram e tudo!)... só para a seguir saírem do cinema e dizerem: Pois, isto é tudo muito bonito, mas é só nos filmes.

Quando somos crianças, é-nos dado a conhecer o universo das princesas e dos príncipes, muito via animação, onde tudo é lindo e maravilhoso... e nós acreditamos naquilo com muita fé, certos de que é aquilo que o Futuro nos reserva.
Mas depois, na altura da pré-adolescência, já muita da ingenuidade se foi, seja por conta de desgostos amorosos, más experiências, ou por conta de comentários menos abonatórios por parte de amigos/amigas da onça, que nos fazem crer que esse mundo idílico não existe.

E lá está, costuma dizer-se que uma mentira, quando dita muitas vezes, se torna verdade... o que é incorrecto, se o levarmos à letra, mas que faz sentido se o encararmos como uma força de expressão, caso optemos por ser apenas actores sociais a desempenhar um papel.

Costuma dizer-se também que, olhos que não vêem, coração que não sente... Mas será que é mesmo assim, quando baixamos a guarda?

As pessoas optam por não amar, por não sentir, ficam num estado de dormência, negação, em que não se deixam afectar. Desta forma, dizem, não saem magoados. Mas haverá maior mágoa que, às portas da morte, nos apercebermos que a nossa vida foi uma mentira?

É bom que não percamos a inocência e ausência de filtro, tão características das crianças, pois enquanto estas não são corrompidas pelos agentes sociais limitadores, não tenham dúvidas, serão totalmente puras e verdadeiras para com a vida.

Eu escolho acreditar no Pai Natal, e tu?

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