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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Comer, orar e amar... a minha análise.


Bem sei que este filme já é de 2010, mas a verdade é que ainda não o tinha visto. Mas, ontem à tarde, enquanto passeava pelos canais, vi que estava a dar na FOX Life, e decidi que era o dia para vê-lo. Acredito não ter sido fruto do acaso, tê-lo visto, quando tinha passado tão pouco tempo após ter escrito sobre as redes sociais. Nesse texto, falei sobre a importância de nos recolhermos e abraçarmos o silêncio. O filme parece ter sido a sequência lógica...

Na minha viagem de auto-análise, fui desafiado a escrever sobre as relações, pois, ao fazê-lo, poderia vir a ajudar terceiros. Registei... mas ainda não me tinha feito todo o sentido, até ontem, após ver o filme.

O filme mostra várias viagens, mas a maior e mais importante de todas, é feita dentro da própria personagem, Liz, interpretada pela Julia Roberts.

Infelizmente, a maior parte das pessoas, acomoda-se a relações que já não fazem sentido, ou que nunca fizeram. Seja pelo medo da solidão, seja por falta de fé, seja por falta de amor-próprio, ou por pena, ou por não se acharem merecedores de melhor... assim vão protelando relações sem Futuro.

Mas, mais cedo ou mais tarde, todos têm a sua epifania, o seu momento de clarividência e esclarecimento. Nesse momento, dá-se a viagem. O problema das viagens tardias é mesmo o da bagagem acumulada que, inevitavelmente, levamos para a mesma... ainda que o pressuposto desta, seja mesmo o de, iniciá-la, apenas com a roupa que temos no corpo :) A quantidade de bagagem que levarmos, vai determinar a dificuldade, duração e transformação afectos à nossa viagem.

Esta viagem não é fácil, pois vai obrigar-nos a lidar com a pessoa que mais problemas nos causa... nós próprios.

No decurso dessa viagem de auto-descobrimento, de reencontro e fortalecimento, por conta das experiências negativas que já tivemos em relações anteriores, tornamo-nos um pouco mais egoístas e erguemos as nossas defesas, para não voltarmos a cair no mesmo erro. Se outrora nos anulámos, agora não deixamos ninguém entrar, pois não podemos arriscar que nos tirem o brilho que tanto custou a reencontrar e restaurar. E, sem darmos por isso, estamos a espelhar o comportamento que outrora tiveram connosco, precisamente aquilo que tanto condenámos e nos deixou ficar mal. Isto tudo, muitas vezes, sem sequer darmos conta... O Ser Humano é mesmo curioso, não é?

Nesse egoísmo, os verbos passam a ser conjugados por um só sujeito... “Eu”. Então e o “Nós”? Ui, o “Nós”, esquece... isso só se for aqueles fulanos que ligam para oferecer pacotes com Televisão, Internet e Telemóvel.

Sem nos apercebermos, passámos do 8 ao 80. Pensámos que encontrámos o nosso equilíbrio, mas, a não ser que decidamos viver sozinhos, completamente isolados da sociedade, o nosso equilíbrio dependerá sempre de terceiros. E, numa relação, como é lógico, há duas cabeças, dois corações, dois seres distintos que têm de encontrar o seu equilíbrio um no outro. Se estiverem os dois no 8, os dois no 80, ou um no 8 e outro no 80, certamente, a relação terá um fim anunciado. O equilíbrio não é algo estanque, ou estático. O equilíbrio tem de ser flexível e adequado à fase/situação da nossa vida. Então, para começo de conversa, equilibremos as coisas ali pelo 44, mais coisa menos coisa ;) E, no fundo, é mais ou menos isto que o Ketut diz no filme... com mais ou menos dentes, o importante é passar a mensagem :)

A Liz, personagem interpretada pela Julia Roberts, passa por todo este processo de transformação e, no final, aceita que não pode querer controlar tudo e que o seu equilíbrio, caso queira tentar ser feliz com outra pessoa, passa por entregar-se, de corpo e alma, e descobrir o que aquela relação tem para lhe dar, até porque, no seu âmago, ela sente que, com aquela pessoa, vale a pena “correr o risco”. Afinal de contas, se já tinha largado tudo, por menos, não faria sentido não abraçar tudo, por muito mais.

Naquilo que me diz respeito, o que vos posso dizer é que, sim, também eu já perdi o equilíbrio com relações que não deram certo. Também eu já fiz de tudo para fazer brilhar a pessoa que amava, contentando-me em ficar apenas com o reflexo do brilho da mesma. E andei assim, anos, pensando que a ia salvar. Mas, na realidade, nunca ouvi uma voz a pedir ajuda, por isso, a nível de sanidade mental, estava ali a taco-a-taco com um esquizofrénico com poucos amigos. Nós não ajudamos, nem salvamos ninguém que não queira ser salvo. E não, não fomos nós que falhámos. Não, não fomos nós que não estivemos à altura. Acredito que existe amor que já o era antes de o ser, da mesma forma que acredito que houve ilusão da existência de um amor que nunca existiu. Mas não saberíamos o que era o frio, se só conhecêssemos o calor. Não saberíamos valorizar a saúde, se nunca tivéssemos estado doentes... os exemplos multiplicam-se, mas já perceberam a ideia. O nosso caminho não pára... e foram as nossas relações que nos trouxeram até aqui, que nos clarificaram o que é real, o que é imaginação, o que nós pensávamos que queríamos, o que nós queremos realmente, aquilo que admitimos, aquilo que não toleramos... mas é bom que aprendamos com elas, caso contrário, continuaremos a repetir padrões indesejáveis, até que já nem tenhamos forças, nem mentais, para começar a viagem ao nosso interior, nem físicas, para remar, num barco, face ao desconhecido.

Portanto, eu não acredito que exista a pessoa certa, na altura errada.
Acredito é que, tal como diz o Richard, no filme: “If you wanna get to the castle … you got to swim the moat.Ou seja, a transformação pode ser um processo penoso, mas, no final de contas, compensa. Agora, lá está, se não acreditarmos nisto, então nem vale a pena começarmos a viagem, da mesma forma que não começamos uma outra viagem, de carro, sem lhe pôr combustível. O princípio é o mesmo. Um, com assistência em viagem, outro, com assistência na ala da psiquiatria :)
Então o que fazer, quando duas pessoas se encontram e estão em fases distintas da viagem?
Bem, vai depender de muita coisa... mas, provavelmente, uma vai ter de atalhar caminho, para chegarem ao tal equilíbrio. Seja para continuarem a viagem, juntos... ou para que um se afaste, de forma a que deixe o outro encontrar o seu caminho, deixando em aberto, a possibilidade de um reencontro... ou deixando que o tempo mostre que o que parecia ser o destino, era afinal um desatino. Vai sempre depender das pessoas, das viagens e respectivas bagagens. Mas duma coisa estou certo, sempre que a cabeça e o coração estiverem em consonância, as almas ecoarão, em perfeita e altiva ressonância. E acreditem, só assim vale a pena :)

Portanto, a todas as Julias Roberts, Júlios Robertos, anónimos e anónimas que estão à escuta, deixo o apelo: Não tenham medo de fazer a vossa viagem, pois só o auto-descobrimento vos liberta totalmente, para poderem desfrutar de uma vida de amor pleno.

12 comentários:

  1. Mais um texto mais um nó na garganta. Ultimamente visito o teu blog todos os dias, esperando ansiosamente por mais um toque de mestre no meu íntimo.
    Muito obrigado por esta luz e sabedoria que me ilumina o caminho.
    Forte abraço

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  2. Este é aquele amigo que eu conheço e eu prezo tanto.
    1º comentário no teu blog.. num texto com a tua cara.
    Um beijinho, e sim, também acho que vou passar a visitar-te todos os dias. :)

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  3. Aquele abraço, maninho :)

    Todos nós somos mestres uns dos outros e, muitas vezes, ajudamo-nos mais, do que aquilo que damos conta.

    Obrigado também a ti pelas tuas palavras, "Unknown" ;) Beijinhos :)

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  4. :) i'm dressed in black....my feeling right now...apeteceu-me ver o filme para reler as tuas conclusões..mais que os fantasmas de experiências passadas, eventualmente praticadas por terceiros, parece-me que a questão maior..o verdadeiro problema é o de chegarmos a um estadio de auto-conhecimento tal, que nao tenhamos duvidas com o que queremos fazer da nossa vida. E sim..quando a bagagem que se tras é muita, dificulta.
    O ketut disse que o desequilíbrio faz parte do equilíbrio. .?...parece um tanto ou quanto clichê. .tal como o de ela ficar com o principe no final...eu disse que estava negra. Apetece-me dizer,...até quando?...e podes sempre responder-me que isso nao interessa porque se trata sempre de uma viagem interior, que se fará sempre isolada, sola.
    Life is hard...
    Vais-me dizer que viver é isso mesmo? a vida sao as emoções que se sentem, que latejam e nos fazem vibrar o corpo? :) vive mais? Sobrevive menos?....
    Beijinho, só porque sim.

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  5. Parte 1 de 2, pois parece que isto limita o número de caracteres, nos comentários... :)

    Bom, antes de mais, acho importante reforçar aquilo que escrevi ao Henrique... acredito mesmo que todos nós sejamos mestres uns dos outros, na medida em que estamos, constantemente, nesta troca de aprendizagens. Fulano tal sabe mais sobre este assunto, aprendo com ele... já Sicrano, é perito em je ne sais quoi, por isso,aprendo-o com ele.Temos os mestres residentes, que são aqueles que escolhemos ter por perto e nos acompanham na nossa vida - ainda que até possamos não privar diariamente com os mesmos - e os mestres de ocasião, a quem recorremos para nos ajudarem com uma determinada especificidade que requer um especialista.

    Quanto à minha “mestria”, lá está, será sempre relativa, face à adequação ao “aluno” que a lê e interpreta. De nada serve falarmos Alemão de nível avançado, se a pessoa do outro lado estiver à espera de Castelhano, nível de principiante.

    Eu, quando escrevo, procuro ser sempre o mais objectivo e imparcial possível, não deixando que as minhas vivências e experiências afunilem ou condenem uma determinada linha de raciocínio. Mas, como é lógico, está presente, naquilo que escrevo, muito de mim, até porque procuro escrever sobre os temas que mais me tocam. E sim, também para mim, como bem sabes, não é fácil, perante a situação que atravesso, vestir sempre roupas de cores alegres... no entanto, se vir que a roupa está a ficar muito suja e a escurecer, ou o preto me começar a pesar, troco de roupa, ou lavo-a, pois, como sempre, é uma decisão que é minha, só minha, independentemente da intervenção de terceiros que possa existir. Mais um clichê, certo? :) Mas deixa lá, eu não tenho problemas com a pior definição dos clichês, assim estes façam sentido.

    Mas se eu for a dissecar o teu comentário, vejo que tu respondes a quase todas as questões que colocas :)

    Ainda assim, vamos lá à análise do Bisonte :P

    O Ketut, o equilíbrio e o desequilíbrio... Aí, não acho mesmo que seja clichê, acho que essa é mesmo a maior aprendizagem que temos de fazer, ao longo de toda a nossa vida. Tal como uma criança que aprende a andar de bicicleta, primeiro, com as rodinhas auxiliares, até conseguir equilibrar-se, abandonando as mesmas, quando já se consegue equilibrar sem elas. As rodinhas auxiliares tiveram um papel importante naquele equilíbrio, porém, agora, já não são necessárias. Mas, anos mais tarde, se passar para uma mota pesada, por exemplo, vai ter de voltar a encontrar o seu equilíbrio, pois a referência/memória da bicicleta, já não é suficiente... ajudou, mas não é suficiente. (continua...)

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  6. Parte 2 de 2

    Voltando ao Ketut, a minha leitura é que o equilíbrio que precisas para hoje, não é necessariamente o equilíbrio que te serve amanhã, daí ter referido a necessidade de constante readaptação e flexibilidade. A Liz sentiu-se, finalmente, tão forte, sozinha, tão em paz com ela própria, que pensou que ao deixar entrar, de novo, alguém na sua vida, ia estar a abdicar dessa força e paz que tanto lhe custaram a encontrar... mas essa força e paz não estavam nos rituais, estavam nela, os rituais só a obrigaram a centrar-se e a apercerber-se disso... se quiseres, eram as rodinhas auxiliares da bicicleta, de que tinha deixado de precisar. Mas tal como à maior parte das crianças, quando se tiram as rodas auxiliares, deu-lhe medo, pois ela já dominava aquilo, já se sentia confortável. E se agora caio? Ah, e se agora caio... e não será, este mesmo, o grande problema da maior parte das pessoas? Sim, pensamos logo no pior, e é o pior que nos demove... nunca o “Ah, e se não cair e a ausência das rodinhas me derem uma liberdade de movimentos que nunca tive?” vem primeiro. E é esta parte que me magoa mais, as pessoas não pensarem, primeiro, nas coisas positivas que podem advir de determinada situação, principalmente, quando o coração lhes indica esse caminho. E aqui incluo também a questão que colocaste, do, “ok, ficou com o príncipe. Mas até quando?”. Até sei até quando foi (durou 10 anos), pois fizeste-me ir investigar :P mas essa não me parece a pergunta mais importante, porque é quase como se estivéssemos a dar mais importância à durabilidade, em detrimento da tal emoção, da verdade. E tal como tu própria respondeste - e sabes que eu concordo - “a vida são as emoções que se sentem, que latejam e nos fazem vibrar o corpo “. Por isso, a não ser que escolhamos andar anestesiados e abdicar dessas emoções, fingindo que isso é só nos filmes, ou que é só no início duma relação, ou simplesmente por acharmos que isso não é para nós, acho que devemos agir em consonância... Para mim, “que seja eterno enquanto dure”, sem dúvida. Mas atenção, isto não quer dizer que até não possa existir um “felizes para sempre”, ou que não partamos para uma relação, precisamente, com esse pressuposto, pois, para mim, só assim vale a pena. Agora, caso não resulte, seja por que motivo for, ninguém deve ficar preso a ninguém só porque sim.

    Não pude deixar de achar curioso, o facto de achares que é um problema, chegares a um estado de auto-conhecimento tal, no qual não tens dúvidas do que deves fazer... convenhamos que é uma afirmação um pouco contraditória, tendo em conta que é para esse estado elevado que todos deveríamos querer caminhar :) As decisões a tomar, bem como a bagagem associada, podem significar que o caminho não vai ser fácil, porém, continuo a acreditar que mais difícil que isso, será sempre andar com o coração e a razão em dissonância... isso gera uma inquietude e mau-estar com que, pelo menos eu, não me dou nada bem.

    E sim, para podermos voltar a fazer uma “viagem a dois”, é imperativo que façamos primeiro a nossa, sozinhos, para assentar ideias e nos restruturarmos.

    Portanto, se ainda tinhas dúvidas, vim, desta forma, reafirmar tudo aquilo em que acredito... para mim, e para os outros, que pensam como eu.

    Portanto, usa a roupa preta, sempre que achares que isso te ajuda a encontrar o teu equilíbrio, mas não desequilibres a balança e põe no outro prato, pelo menos, a mesma quantidade de roupa colorida.

    Beijinho

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  7. Today i'm colored (como a música!) :) obrigada por seres meu amigo. Essencialmente é isto.
    E para além disso, menos importante, foi o meu "problema de expressão" - hoje estou muito musical - que suscitou a tua curiosidade. ;)
    O que queria dizer era mesmo que a dificuldade maior é o de compreendermos, claramente, o que queremos.. ou talvez mais o de a partir daí, sem hesitações adquarmos a nossa conduta às metas descobertas e traçadas na nossa cabeça... e esperar que essas não se modifiquem a curto prazo... porque a longo prazo, quem sabe?... mas vai da força interior de cada um... Beijinho!

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    1. Ainda bem que estás mais colorida :) E não tens de agradecer o facto de eu ser teu amigo, estamos cá uns para os outros.

      Sim, estou de acordo, mas, de facto, essa resposta, quanto a mim, vai mais ou menos de encontro à questão do "Até quando?". Mais que certezas, sem ser as intrínsecas da alma, se assim lhe quiseres chamar, tudo será uma nova experiência, uma nova vivência, um novo começo... e com todo o novo começo, nasce uma nova história, ainda por escrever. Como tal, se é para dar o passo, convém que essas dúvidas estejam completamente dissipadas e tenhamos a certeza de que queremos, de facto, escrever uma nova história, seja porque o caderno acabou, ou porque já não gostamos da história velha. Mas, tal como dizes, no final de contas, dependerá sempre da força interior e crença de cada um.

      Beijinho

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  8. Sei que não é aqui o lugqr ideal...mas devia haver um campo para "discos mais pedidos"!...e como tal colocaria o tema "homens e a (des)arrumação. Haverá homens arrumados ou isso é mais um mito urbano? E as mulheres, devem arrumar por eles?..Até quando?!...
    Desabafos! Ihihih :p besos

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  9. Isso é bem pensado, sim senhora. Vou abrir um tópico para isso mesmo, para as pessoas poderem sugerir um tema, sobre o qual gostassem de contar com a minha análise.
    No caso concreto que comentas, não me parece que a opinião do Bisonte, sobre esse tema, vá, de alguma forma, iluminar alguém :)

    Beijinhos

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  10. Ihihihih...hummm será essa ausência de comentário uma assunção de culpa encartada? :p ...escapa-te! ;)

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O teu comentário é o feedback mais fidedigno que posso ter, como tal, não deixes de o fazer, pois é realmente importante para mim. Obrigado.