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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Esquerda, o novo Papão em Portugal!



Pois é, venho falar-vos desta tal de Esquerda, que parece que é o novo Papão na vida dos portugueses!

Não me queria alongar muito nas definições de esquerda e direita política, mas como é relevante para aquilo que vos vou escrever de seguida, deixo-vos aqui a ideologia base de cada uma, até porque creio que a maior parte das pessoas que se refere às mesmas, não sabe quais as diferenças básicas entre ambas:

“Direita política descreve uma visão ou posição específica que aceita a hierarquia social ou desigualdade social como inevitável, natural, normal, ou desejável.”

“No campo da 
política, política de esquerda descreve uma posição que apoia a igualdade social.[1] [2] [3] [4] Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas.”

Retirado daqui:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquerda_pol%C3%ADtica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direita_pol%C3%ADtica

Em relação aos senhores que estiveram à frente do nosso governo nos últimos 4 anos, e que agora, pelos vistos, aos olhos de grande parte dos portugueses, já parecem políticos sérios, responsáveis por encarreirar Portugal e por um excelente trabalho, sem mácula, sem mentira, sem sacrifícios desnecessários e sem qualquer tipo de subserviência à vontade da União Europeia, deixo aqui estes vídeos, sem quaisquer tipos de manipulações, pois as palavras vieram directamente da boca dos intervenientes:

O melhor de Passos Coelho (não precisa de destaques, pois todo o vídeo é um destaque constante):

https://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec

E claro, não podia faltar o nosso querido Paulo Portas que, ao ver estes tesourinhos, deve ficar cheio de vontade de esconder-se num submarino:

https://www.youtube.com/watch?v=oYbvQMO7bC0
https://www.youtube.com/watch?v=HSxnefIEuyg

“Os partidos são uma maçada… ser militante de um partido é uma grande maçada”; “Os quadros dos partidos, normalmente, são muito muito medíocres, são pessoas muito medíocres que não têm mais nada que fazer na vida, ou que acham que aquela é a forma principal de subir na vida”;
“ – Não tens ambições políticas?
- Nenhumas… É uma coisa que eu decidi na minha cabeça, se há coisas definitivas na minha vida e na minha cabeça, uma delas é essa. Eu gosto imenso de política, mas nunca farei política.”

Há coisas que nunca mudam, tipo, são irrevogáveis, estão a ver?

“irrevogável | adj. 2 g.

ir·re·vo·gá·vel
(latim irrevocabilis exceptus quandu Paulo Portis dixit, -e)
adjetivo de dois gêneros
1. Que não se pode revogar.
2. Definitivo.
3. Que não torna atrás.
4. A não ser que seja o Paulinho das Feiras a proferir tal vocábulo.

"irrevogável", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, 
http://www.priberam.pt/dlpo/irrevog%C3%A1vel [consultado em 11-11-2015].”


Sobre o último governo, só me ocorre a seguinte força de expressão: Tinham como objectivo matar uma formiga (calma, PAN, é só uma força de expressão) e, para terem a certeza que o conseguiam fazer sem grandes exercícios mentais, acharam que a melhor forma de o fazer era com uma caçadeira de canos serrados. Algo descabido, exagerado, mas pronto, diziam que só assim é que a formiga ia à vida, e a malta lá foi aguentando. Mas… não é que, mesmo com a caçadeira, conseguiram falhar?!

Bom, apresentada que está esta direita, vamos lá então à escandaleira do momento…

Segurem-se… Sim, diz que é possível que venhamos a ter um governo de esquerda no poder!

Não posso… Aqueles gajos que defendem a igualdade social e não sei mais o quê?!

Eish, estamos tramados, ó sócios!

Ante esta possibilidade, ouvi/li algumas pérolas brilhantes…

“Deviam ter vergonha, perderam as eleições e agora fazem jogo sujo para ir para o governo…”
“O Costa devia demitir-se!”
“40 anos de democracia por água abaixo…”
“Isto foi um golpe de estado!”

Acho que, quem profere tais comentários, não entende bem o conceito de democracia, nem tão pouco, o simples respeitar da maioria. Eu vou explicar com laranjas…
Os portugueses votam para eleger deputados na assembleia. Cada deputado vale um voto, voto esse que serve para aprovar, ou reprovar, medidas parlamentares propostas em assembleia. Muito resumidamente, quem tiver mais votos, vê a dita proposta aprovada. Se houver uma maioria no poder, existe na mesma uma votação, mas acaba por ser apenas simbólica, uma vez que as medidas são sempre aprovadas, precisamente, por essa maioria – tal como o nome indica - dispor de mais de metade dos votos disponíveis na assembleia.

Número de deputados na assembleia: 230

Os 230 deputados foram então divididos da seguinte forma, após resultado das legislativas de 4 de Outubro de 2015:

Número de deputados eleitos pela coligação PSD/CDS: 102
Número de deputados eleitos pelo PS: 86
Número de deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda: 19
Número de deputados eleitos pela CDU(PCP/PEV): 17
Número de deputados eleitos do PSD: 5
Número de deputados eleitos pelo PAN: 1

Número de deputados da coligação PSD/CDS + deputados  PSD = 107

Ora, para se obter maioria, quando há 230 lugares disponíveis, temos de ter então, pelo menos: (230/2) + 1 = 116

107 AINDA é menor que 116.

Se o actual governo continuasse em funções, o que ia acontecer é que, mesmo sem acordo à esquerda, toda e qualquer medida que a coligação quisesse ver aprovada em assembleia, ia ser chumbada, pois a esquerda anda há 4 anos a dizer que não concorda com as políticas do actual governo, logo, não faria sentido aprová-las, indo contra os seus princípios e ideais, só para agradar à coligação. Em suma, não haveria condições de governação.

Mas deixem-me que vos diga que, ainda assim, após 4 anos de austeridade, mentiras, privatizações em saldos, resgates da banca, tentativas de implementação de medidas inconstitucionais, e de sermos uns bonitos cordeirinhos europeus, 107 votos é, no meu ver e, por si só, uma loucura… só justificada por uma qualquer realidade paralela à qual não tive acesso. É a tal realidade paralela onde o povo português foi responsável pela crise, pois viveu acima das suas possibilidades. Onde os bancos e as principais instituições financeiras nacionais e internacionais, nada contribuíram para isso. Onde os meios de comunicação são isentos, com comentadores igualmente imparciais e apartidários. Onde quase meio milhão de portugueses não foram obrigados a emigrar. Podia ainda alongar-me para outras manobras de diversão subtis, porém, com repercussões em cadeia brutais… mas já há aí material tão escandaloso, tão evidente, que acho que nem vale a pena embarcar em “teorias complexas”.

Graças a Deus, não tive de viver em ditadura, mas o mesmo já não posso dizer dos meus pais e avós. Falar em golpe de estado é, no mínimo, insultuoso para com aqueles que foram torturados e perseguidos para que, hoje, pudéssemos viver numa democracia. Onde o nosso voto… conta. É certo que, por vezes, não o vemos representado da maneira que gostaríamos, mas podemos exercer o direito de voto, isso é inegável. Infelizmente ainda há, nos dias de hoje, quem não o possa fazer.

Se António Costa não tem aceitado a vontade de tantos militantes e simpatizantes, certamente, teria sido criticado por virar as costas ao país, quando este precisava de uma alternativa viável, alternativa essa, que os portugueses não viam em António José Seguro. Sujeitou-se à vontade dos portugueses, e estes deram-lhe uma expressiva vitória de quase 68%. É acusado de jogo sujo. Enfim :)

Fez um excelente trabalho na Câmara de Lisboa, mas como altos valores se levantaram e teve de abandonar o seu mandato de presidente da câmara, para garantir uma alternativa viável ao país, acusaram-no de ser um homem sem palavra e de ter abandonado quem votou nele para presidente da câmara de Lisboa.

Falam também nas divergências que havia em tempo de campanha, entre o Bloco de Esquerda, o PS e a CDU, e que estas parecem ter desaparecido da noite para o dia, só pela sede de poder.
Como é lógico, não tendo concorrido coligados, por opção, cada um teria de puxar a brasa à sua sardinha. A fazer campanha, não faria sentido fazê-la por outro partido.
Mas por que não pensar antes que, em 40 anos de democracia, nunca se tinha assistido a uma negociação/diálogo tão séria entre partidos de esquerda, procurando valorizar os pontos convergentes, com cedências de parte-a-parte, em prol de uma política que rompa com a do actual governo, e que, finalmente, dê aos portugueses aquilo por que clamaram… mudança?

Como é lógico, as divergências entre as ideologias dos partidos irão continuar a existir (tal como existem entre o CDS e o PSD), e é saudável que assim seja, porém, tal como em qualquer relação que se quer levar a bom porto, tem de haver diálogo e compromisso, procurando reunir consensos, sempre que possível, sem que para isso seja necessário que alguém abdique da sua identidade e convicções.
Acredito que o sapinho que cada um deles terá de engolir de quando em vez, seja menos indigesto que um Coelho insosso no tacho.

Mas quem veja o corrupio que para aí anda, mais parece que os portugueses estão com medo que a Assembleia da República se transforme num qualquer palco do festival do Avante, onde Popota, recentemente eleita deputada pelo PAN, usará o seu tempo nas reuniões plenárias para cantar o “Avante, camarada!”.

Tenho ainda de dizer-vos que nunca havia visto tanta veia de professor Chibanga nos comentadores dos meios de comunicação. Já há certezas de que o governo à esquerda tem os dias contados, e consta que já há inclusive apostas sobre a duração do mesmo. Aliás, isto está de tal maneira, que a campanha anti-esquerda, por parte dos lobbies, nem é disfarçada. Como se costuma dizer, estão mesmo a meter a carne toda no assador!

Há ainda certezas, por parte de muitos portugueses, que este governo de esquerda não pode fazer coisas boas por Portugal. Engraçado… já eu tinha a certeza, suportadas por inúmeros factos e números, de que o actual governo é que, de facto, coisas boas não fez. Mas isto sou eu, que tenho a mania de suportar as minhas teses com factos e números. Sou-vos sincero, sobre cenários nunca antes vistos, prefiro não fazer futurologia e torcer pelo melhor. Sim, porque a realidade é essa, nunca houve nenhum governo de esquerda, constituído como este será. Logo, não há comparação possível com realidades anteriores, pois não há ainda qualquer registo da sua actuação. Trocado por miúdos, como dizia o outro: Não neguem à partida uma ciência que desconhecem... apesar de, estranhamente, já se terem acomodado ao cheiro a trampa daquela que conhecem.

Olhem, eu cá vou torcer por Portugal e por aqueles que o vão governar. Chamem-me maluco, mas eu acredito num Portugal mais virado para as pessoas, do que para os mercados internacionais. E sim, antes que digam que esses malucos da esquerda que defendem a igualdade social vivem uma utopia, estejam descansados que eles também sabem interpretar números. Aliás, estou convencido que o difícil será interpretá-los de maneira pior que o que fizeram os génios que lá estiveram.
Mas quem quiser continuar a enfiar a cabeça na areia, fazer campanha deprimente baseada no Best Seller “Quem tramou o Calimero?”, ou ainda a enviar petições para o Presidente da República não empossar o Governo de esquerda, está no seu direito… mas lembrem-se, os factos continuarão a ser os factos, independentemente da maneira que os pintem.

Mas acima de tudo, não se limitem a repetir o que dizem os comentadores, seja através de recados mais subtis, ou de mensagens bem directas. É que, para isso, temos os papagaios… Pensem, analisem, questionem-se... vejam se, de facto, faz sentido. Se, ainda assim, acharem que é merecedor de ser repetido, muito bem, mas pelo menos fizeram a introspecção que visa separar-nos dos papagaios.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Portugal à frente… Mas em quê, e de quem?

Portugal à frente… Mas em quê, e de quem?



Eu até podia dizer que o próprio nome da coligação era, por si só, uma piada de mau gosto, mas, a julgar pelo resultado das eleições, parece que o nome, afinal de contas, deve fazer sentido. Aliás, eu estou convencido de que há toda uma realidade paralela para a qual ainda não fui convidado, ou apresentado. Pessoal, agora a sério, se sabem de alguma coisa que eu não sei, digam-me… eu também sou filho de Deus! E sim, pode ser por mensagem privada, compreendo que os lugares sejam limitados.

Tenho por hábito escrever as coisas de maneira bastante simples e objectiva, para que o recado passe para o maior número possível de pessoas. Hoje, não é excepção. Ora, feita que está a nota introdutória, passemos então aos factos.

Portugal à frente? Vamos lá ver isso, então :)

Podem ver aqui o retrato de Portugal na Europa, com dados concretos:

http://www.pordata.pt/ebooks/PT_EU2014v201405271200/index.html#p=1

É fácil de consultar e está à disposição de todos.

Hummmm, mas isto se calhar há alguma liga da verdade da Europa (tipo como há no Futebol), a que só a coligação tem acesso. Provavelmente, foi também aí que o Pires de Lima retirou aquela ideia de que Portugal tem potencial para ser uma das 10 maiores economias mundiais. Se bem que, bem vistas as coisas, depois ele fundamentou-o, dizendo que, se Ronaldo pode ser o melhor do Mundo, tal como Mourinho, não havia razões para Portugal não sonhar com isso. Claro, faz sentido… e ainda se esqueceu do Ricardinho (melhor jogador do Mundo em Futsal), o que reforçaria ainda mais a sua “tese”.

Aliás, cada vez que eu vejo os tugas a darem tudo em mais uma tentativa de entrada para o Livro do Guinness, regozijo e entrego-me às evidências… somos um colosso prestes a rebentar!

E se pensam que eu estou a gozar, atentem nisto: A maior aula de judo do Mundo; O maior arroz de lapas do Mundo... E isto são só alguns dos nossos feitos que fazem o resto do Mundo roer-se de inveja
Pá, eu não sou nenhum Pires de Lima, mas só vos digo: Índia e Rússia, vocês ponham-se a pau, que nós estamos lançados!

Vamos agora a algumas curiosidades.

12 de Setembro de 2012 - Cerca de um milhão de pessoas saiu à rua, por todo o país, manifestando o seu desagrado com a actual governação. Foi a maior manifestação desde o 1º de Maio de 1974.

Nessa altura, as sondagens mostravam a seguinte percentagem de intenção de voto:

PSD+CDS – 33% (O PSD tinha perdido 12% de intenção de voto e o CDS tinha subido 1% face a Junho do mesmo ano)
PS – 31% (Perdeu dois pontos face a Junho do mesmo ano)
CDU – 13% (Subiu 4% face a Junho do mesmo ano)
BE – 11% (Subiu 2% face a Junho do mesmo ano)

4 de Outubro de 2015 -
Dos 9.682.369 portugueses inscritos para votar, 43.07% não foram às urnas. Ou seja, cerca de quatro milhões cento e setenta mil pessoas não acharam relevante votar. A coligação PSD/CDS arrecadou cerca de 2 milhões de votos.

Resultado das eleições legislativas de 4 de Outubro de 2015:

PSD+CDS – 36.8%
PS – 32.4%
CDU – 8.3%
BE – 10%

Sim, já sei que intenção de voto não é a mesma coisa que voto, mas, para termo de comparação, serve.

Ou seja, face a 2012, o PS subiu 1.4%, o BE desceu 1%, a CDU desceu 4.7% e o PSD+CDS, para brindar o bom trabalho, subiu 3.8%.

Ora, isto leva-me a crer que, afinal, isto não está mau, algo de bom aconteceu nestes 3 anos… só pode! Pois, independentemente, da maneira que queiram pintar, a realidade é só uma, para cerca de 6.200.000 portugueses, isto está bom e o governo tem feito um bom trabalho que merece continuidade. Sim, leram bem, são cerca de seis milhões e duzentos mil portugueses, somando a abstenção e os que votaram na coligação que nos (des)governou nos últimos 4 anos.

Posto isto, resta-me afirmar que os portugueses têm, de facto, aquilo que merecem.

Isto faz-me lembrar aqueles casamentos em que, no princípio da relação, se fazem juras de amor eterno e promessas de todo o tipo… depois, ao fim de alguns meses, começam a surgir alguns desacatos, as primeiras falhas com o prometido. Passado mais algum tempo, começam as agressões. A mulher, revoltada, conta às amigas e amigos, que a aconselham a afastar-se… e ela parece decidida a fazê-lo. Mas depois, vêm novas promessas e ela decide dar mais uma chance… até ao próximo gancho de esquerda. Novo desalento, novo desabafo com as amigas, conselhos renovados e… desta é que é! E foi… até à cabeçada à Cais-do-Sodré que lhe partiu o pivô. Amigos e amigas dizem que ela precisa de ajuda, de acompanhamento de um especialista, que não está a conseguir pensar e agir bem. A mulher responde, dizendo que os amigos e amigas não a entendem e não estão a querer o bem dela, pois nem tudo é mau na relação. Ele ama-a, apenas tem uma maneira estranha de o demonstrar… e no fundo, bem vistas as coisas, ela sabe que é ela que tem de mudar, que é ela que tem de fazer cedências para que a harmonia do casal seja reposta. Inclusive, as coisas agora estão melhores, pois ela passou a usar Corega fixação extra forte e, a tendinite com que o marido está, segundo a mesma, faz que com que ele agora pareça uma menina a bater.

A meio dos 2 mandatos, peço desculpa, aos 6 anos de casamento, finalmente divorcia-se… o que terá sido a gota final? Ah, já sei, foi a de ácido, que este lhe despejou na cara.

Ah, e no meio disto tudo, quase que me esquecia de dar os parabéns a todos os partidos de esquerda que fizeram campanha contra o PS. Juro que, quem ouvisse o discurso destes no período de campanha eleitoral, ficaria com a impressão de que era o PS que estava no governo… qual papão, qual quê! Enfim, espero que tenham conseguido atingir os objectivos a que se propuseram: Roubar votos ao PS e entregá-los à coligação. Afinal de contas, os fins justificam os meios e se formos a ver, mesmo na condução, há aí tanta gente a confundir a direita com a esquerda ;)

E termino, dirigindo uma mensagem especial aos mais de 6 milhões de portugueses que contribuíram para o cenário em que nos encontramos, pois é importantíssimo que eles ganhem essa consciência: A partir de hoje, NÃO SE ESQUEÇAM que vocês tiveram parte activa e são responsáveis pelo que acontecer. Não se venham depois desresponsabilizar, ou queixar, à primeira oportunidade que tiverem.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

As 50 sombras do terrorismo


As 50 sombras do terrorismo

Segundo a wikipédia, esta é a definição resumida de terrorismo, apesar de não haver uma definição única, aceite em todo o Mundo:

“Terrorismo é o uso de violência, física ou psicológica,1 através de ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir medo, terror, e assim obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo, antes, o resto da população do território. É utilizado por uma grande gama de instituições como forma de alcançar seus objetivos, como organizações políticas de esquerda e direita, grupos separatistas e até por governos no poder.2

Já o ataque ao jornal Charlie Hebdo, parece ter sido unanimemente catalogado pelas mais variadas fontes, como um acto de terrorismo, exceptuando na óptica de quem o perpetrou, claro.

Sim, como é lógico, lamento imenso o que aconteceu, naquele dia, em Paris. E sim, condeno-o veemente. Contudo, sou-vos sincero, inquietou-me um pouco a cobertura mediática dada ao mesmo, bem como a reacção de grande parte da sociedade a este acto.
De um momento para o outro, não só Charlie Hebdo estava na língua do Mundo, como todos eram Charlie. Gerou-se uma onda mundial de solidariedade contra o ataque à liberdade de expressão.

E por que razão fiquei eu inquieto por esta causa nobre? Simples… pela ausência de critério de grande parte da sociedade e da comunicação social.

E é aqui que começam as ditas sombras do terrorismo, dado que o mesmo se manifesta nas mais variadas formas.

Dia 10 de Janeiro, ou seja, três dias após o ataque ao jornal Charlie Hebdo, uma menina nigeriana a quem vestiram um colete com explosivos e que, ao que tudo indica, não teria mais de 10 anos de idade foi, literalmente, explodida num mercado, tendo morto pelo menos 16 pessoas e ferido mais de 20. Isto após já terem sido assassinadas cerca de 2.000 pessoas, durante ataques em Baga, Nigé
ria, nos dias anteriores.

As perguntas que vos faço são as seguintes: Que liberdade de expressão terá tido esta criança, ou as restantes pessoas que foram assassinadas sem que ninguém tivesse feito nada para o impedir? Por que razão não terão os diversos canais de comunicação dado o devido destaque a esta notícia, à semelhança do que fizeram aquando do ataque ao jornal Charlie Hebdo?
Penso que não me enganarei muito se disser que a resposta de grande parte da sociedade é a seguinte: Ah, mas isso foi em África, lá é “normal”, não há nada que possamos fazer… já o ataque ao jornal Charlie Hebdo foi feito numa sociedade evoluída, onde esse tipo de ataques não deve ocorrer.

É esta definição de normalidade que me assusta. Preocupa-me a deterioração dos valores e ideais à medida que aumentam os quilómetros de distância que nos apartam fisicamente dos problemas. Parece que a internet e os meios de comunicação tornam o Mundo global, mas que há sítios mais globais que outros :)

Eu tenho de dizer-vos que a mim me choca mais o tipo de ataques ocorridos na Nigéria, do que o ataque ao jornal Charlie Hebdo. E porquê? Pela simples razão de não compreender como é que em matéria de atropelo aos direitos humanos, ainda hoje, a sociedade e quem a governa se comportam como um camião sem travões… tendo ainda a audácia de poder escolher que atropelos devem ser revelados.

Falou-se tanto em liberdade de expressão, quando existem “n” pessoas que não têm sequer acesso à liberdade, no seu sentido mais primário. Há uma expressão que costuma utilizar-se, que diz que a nossa liberdade acaba onde começa a do outro e, apesar de eu concordar com o ideal que a sustenta, sei que o problema reside precisamente na ideia que cada um faz a respeito daquilo que são o início e fim da sua liberdade.
O que deveria ser então uma linha bem demarcada, assemelha-se mais a uma onda sinusoidal, cujas variáveis são moldadas por forma a encaixar na vontade do freguês. Ainda assim, se houvesse tolerância e respeito para com os ideais, religiões, preferências, ou crenças contrárias às nossas, iam existir apenas divergências de opinião e/ou postura, não actos hediondos cometidos em nome de interesses mais ou menos obscuros. Já não existindo respeito, tolerância e o tal demarcar da linha, há liberdade para cometer actos terroristas.
Como tal, se calhar a pergunta que deveria colocar-se seria: Onde acaba então a liberdade e começa o terrorismo? Sim, sei que à primeira vista pode parecer uma pergunta extremista, mas vou tentar mostrar-vos a razão pela qual acho premente fazê-la.

No nosso Mundo inóspito, um hindu extremista podia cometer um atentado bombista num Burger King… estaria a matar em nome da vaca.
Não devia haver mortes por conta de desaguisados no trânsito, mas há…
Ou seja, por mais tresloucado que nos possa parecer um atentado, ou evento isolado, existe sempre uma razão por detrás do mesmo, ainda que esta, para nós, seja o maior absurdo e de racional nada tenha. E, nestes moldes, é uma falácia pensar que podíamos ter feito algo para o prevenir, pois, no momento em que este ocorre, encontramo-nos em dissonância absoluta com quem comete a loucura.

Quem matou os jornalistas e restantes pessoas durante o ataque ao jornal Charlie Hebdo, alegou que o fez em nome do profeta.

A organização fundamentalista islâmica Boko Haram, mata para impor a lei Sharia no norte da Nigéria.

Não faltam casos onde companhias farmacêuticas tenham sido condenadas, seja por fraude, seja por ocultarem efeitos secundários dos seus medicamentos, seja por incentivos dados a médicos para a prescrição dos seus produtos, seja por marketing ilegal, seja por destruição de documentos… matam em nome do dinheiro, pela sua saúde :)

E que tal os escândalos e jogos internacionais da bolsa que, como sabem, têm repercussões no mundo inteiro, dada a possibilidade que têm de manietar todos os mercados? Quantos terão morrido, directa e indirectamente, vítimas do mercado financeiro?

Na China, em nome do planeamento familiar, estima-se que se terão impedido 200 milhões de nascimentos entre 1979 e 2009. Um estudo realizado na própria China, estima ainda que cerca de 76% da população concorda com a medida.
Crê-se ainda que, num ano, entre China e Índia, se matem mais crianças do sexo feminino, do que aquelas que nascem nos EUA. Sendo que na China o fazem em nome do tal planeamento familiar e, na Índia, mais por razões culturais.

Estima-se que, desde 1990 até os dias de hoje, na sequência de ataques realizados a escolas, jardins-de-infância e universidades nos EUA, tenham sido mortas cerca de 286 pessoas, e feridas outras 364. Entre algumas das razões apresentadas para o cometimento destes actos, surge o bullying e a violência nos filmes e vídeojogos.

Estima-se que cerca de 300.000 crianças tenham sido usadas como soldados em guerras civis na Libéria e Serra Leoa. Quantas terão morrido e sido forçadas a matar em nome dos diamantes?

Em Angola, cerca de 17 crianças em cada 100, não chegam a completar os 5 anos de idade. Isto enquanto a fortuna combinada de José Eduardo dos Santos e da sua querida filha, deverá ultrapassar os 20 mil milhões de dólares, colocando-a no patamar da das 30 pessoas mais ricas do Mundo. Sim, claro que eles são pessoas sérias e foi fortuna feita legitimamente. Foram abençoados com o dom dos negócios :) Tal como é verdade que nada mais poderiam fazer pelo seu povo, povo esse que vê 67% dos seus a viver com menos de 2 dólares por dia.

Ainda em 2013, uma mulher no Paquistão foi apedrejada até à morte pelo crime de… ter um telemóvel! E sim, ainda hoje, nestes países: Emirados Árabes Unidos; Irão; Iraque; Qatar; Mauritânia; Arábia Saudita; Somália; Sudão; Iémen; Nigéria do Norte; Aceh, na Indonésia e Brunei, no Paquistão, é permitido matar alguém por apedrejamento.

Podia ainda falar no tráfico de humanos, onde crianças e adultos são transformados em escravos sexuais, ou laborais, sob ameaça directa à sua vida, ou à de terceiros que lhes são queridos.

Ou na força que os grandes cartéis de droga exercem, com a conivência paga de quem podia intervir e fecha os olhos.

Ou em toda a indústria bélica e respectivo comércio internacional de armas, lícito e ilícito, financiado com dinheiro sujo proveniente de fontes duvidosas, cuja existência é justificada em nome de uma possível guerra que poucos acham necessária.

E podia continuar aqui a dar exemplos, mas acho que já perceberam onde queria chegar. Com estes exemplos diversos, penso que já entenderam o porquê da dificuldade de traçar o limite da tal linha, bem como algumas das razões para a sua forma sinusoidal.

Quando algo como o cumprimento dos artigos constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos é opcional, penso que a sua existência deixa de fazer sentido. Ou então, há que actualizá-la, dando-lhe um novo nome… assim de repente, lembrei-me de algo como: Declaração Universal dos Interesses Humanos. Parece-me mais adequada.

Enquanto a sociedade, através do seu povo, não se focar em resolver alguns dos problemas gravíssimos que enumerei, ao invés de estar sempre preocupada em achar o bode expiatório do momento, podem acreditar que vão continuar a morrer Charlies, Zés, Joões, Adolfs… vai haver cada vez mais extremistas a quererem provar o seu ponto de vista. Vai haver cada vez menos razão. Vai haver cada vez menos transparência.

Chamo ainda à atenção para a falsa segurança que muitas vezes se compra nestes momentos… diz que é vendida a troco da tal liberdade ;)

E sim, eu sei que as sombras podem ser assustadoras, mas também elas se tornam mais claras e nítidas sobre a luz correcta. Então… iluminemos para eliminar ;)

Reflictam.

Beijinhos e abraços do vosso Bisonte :)